Os paulistanos Guilherme Neumann e Lara Alcantara vivem em São José dos Campos, São Paulo, são formados em Artes Visuais pela Faculdade Belas Artes e trabalham juntos há 10 anos. A princípio, o Toco-Oco produzia bonecos para brincar e decorar, apenas com madeira torneada e tecido. Hoje, o casal trabalha com madeira, resina, tecido, cerâmica e cera e produzem bonecos, esculturas, instalações de parede, pinturas, aquarelas, e o que mais vier à mente.

Lara começando a pintar as esculturas. Foto: Gabriel Sousa/Devir Produções

Tudo começou quando o casal mudou de cidade. Eles tinham uma criança para presentear e Guilherme tinha acabado de comprar um torno de madeira. Decidiram, então, fazer um boneco: ele fez a cabeça de madeira e Lara fez o corpo de tecido. E assim nasceu o primeiro boneco do Toco-Oco. “Foi um sucesso, todo mundo amou e sugeriu de fazermos para vender. Então começou com esse foco mais infantil”, conta Lara.

Guilherme lixando escultura. Foto: Gabriel Sousa/Devir Produções

Com o tempo, perceberam que o público deles era adulto, que colecionava esses bonecos infantis. E resolveram investir em pequenas esculturas, trazendo a experiência prévia do Guilherme na área e criando uma nova identidade para esse trabalho feito em dupla.

Instalando a primeira escultura. Foto: Henrique Madeira

O projeto das 10 esculturas para o Nu Festival foi um grande desafio para o Toco-Oco. Eles estão acostumados a trabalhar em um espaço pequeno e com peças em pequena escala. Com a proposta de fazer algo maior para colocar na cidade, tiveram que sair de sua zona de conforto.

Primeiras esculturas instaladas na Praça Omaguás. Foto: Henrique Madeira

Foi a primeira vez que produziram algo deste tamanho do começo ao fim. “Nós já tínhamos feito uma escultura maior, mas não tínhamos sido nós que fizemos o molde. Foi um super desafio fazer um molde grande e tirar em cimento, que inclusive depois não deu certo. Então tiramos em gesso odontológico e achamos que o resultado ficou super legal”, conta Guilherme.

Escultura instalada na Praça Omaguás. Foto: Henrique Madeira

Para o casal, as pessoas estão carentes de ver esculturas contemporâneas nas ruas, ainda mais em uma linguagem tão acessível. “Nosso trabalho conversa com todo tipo de pessoa, ele comunica algo que as pessoas conseguem fazer relação”, afirma Lara. E eles contam que estão muito abertos a qualquer tipo de interação. “Estamos abertos para qualquer possibilidade, qualquer intervenção vai ser positiva para nós. Enfim, está na rua. É para acontecer alguma coisa”, complementa Lara. E inclusive a dupla produziu três peças cinzas que foram pensadas para gerar interação.

Esculturas instaladas na Praça Benedito Calixto. Foto: Henrique Madeira

Além das instalações, o Toco-Oco também promoveu um workshop de modelagem de personagens que foi um grande sucesso. Eles contam que a ideia foi mostrar um pouco do processo de criação de um boneco de resina, material que as pessoas não têm muita familiaridade. “A escultura é uma linguagem que fica um pouco distante das pessoas, então acho que o legal desse workshop é mostrar um caminho: de um desenho, você pode transformar em uma escultura”, explica Lara, “Quem sabe sai algum escultor do workshop”.

Esculturas instaladas na Praça Benedito Calixto. Foto: Henrique Madeira