O ilustrador autodidata Renan Santos é de Canoas, Rio Grande do Sul, mas vive em São Paulo. Estudou arquitetura, foi militar, mas decidiu mudar sua trajetória para fazer o que realmente gostava: desenhar. Do desenho para a gravura em metal, da gravura para a pintura. Hoje em dia trabalha nos três segmentos consecutivamente mantendo sempre a mesma identidade. Seu estilo baseia-se nas histórias ilustradas no século XIX, com desenhos cheios de hachuras feitos em chapas de cobre e impressos manualmente. Além disso, inspira-se muito nos pintores do Renascimento e da era Medieval.

Renan Santos começando a marcar seu mural. Foto: Henrique Madeira

Em seu mural para o Nu Festival, Renan escolheu o lobo-guará para ser seu personagem. Nos contos em que ele se inspira e cuja estética ele tenta levar para as ruas, a presença da raposa é muito recorrente. Como forma de abrasileirar isso, ele trocou o animal para um que representasse bem o Brasil.

Mural em processo. Foto: Henrique Madeira
Detalhe do mural de Renan Santos. Foto: Henrique Madeira

Renan conta que sempre deixa suas referências muito nítidas em seu trabalho. Por exemplo, “o turbante, que deixa bem clara a influência que eu sofro do [Jan] Van Eyck, um pintor da era medieval; a assinatura que eu uso é baseada no trabalho do Albrecht Dürer; a colher de pau é do [Pieter] Bruegel, também um pintor medieval”, explica. E a ideia de seu mural é que forme uma composição que permita a livre interpretação, como se fosse um livro ilustrado sem texto. “Então tu pode inventar um conto novo e interpretar da maneira que achar melhor”.

Mural quase finalizado. Foto: Henrique Madeira

Essa foi a primeira empena que o artista já pintou e, para ele, o maior desafio o pré, antes de começar o trabalho. A ansiedade de não saber como ele se sentiria em cima de um balancin tão alto, de trabalhar com uma proporção tão grande sem poder ir para trás e olhar como está ficando. Mas, no fim, ele acho tranquilo e fluido. “Não foi fácil, mas já tive bem mais trabalho pintando em pequena escala”, conta.

Renan Santos em ação. Foto: Henrique Madeira

Renan conta que, normalmente, trabalha em um estúdio sozinho e fechado e que dividir o trabalho com outras pessoas foi também uma experiência nova. “Sou sempre eu comigo mesmo. A execução da pintura com mais pessoas produzindo junto comigo foi um desafio grande, mas foi um aprendizado gigante”. E o resultado ficou tão bom que alguns moradores do prédio ou vizinhos já estão requisitando-o para outros trabalhos na região!

Mural do Renan Santos finalizado na Fradique Coutinho 623. Foto: Instagrafite