O carioca João Lelo vive em São Paulo e é artista autodidata. Apesar de ser conhecido por seu trabalho de muralismo, que pode ser visto por todo o mundo, sua produção abrange também pinturas, desenhos, gravuras, vídeos e, mais recentemente, esculturas e objetos. Suas obras têm como característica as composições tridimensionais geométricas de animais e pessoas, representados de forma sintética a partir da interação de formas chapadas, texturas e padrões. O artista trabalha retirando o máximo de detalhes possível da figura, mas deixando a essência de cada uma, o que permite que sejam identificadas.

Lelo pintando as peças em seu ateliê. Foto: Gabriel Sousa/Devir Produções
Lelo pintando as peças em seu ateliê. Foto: Gabriel Sousa/Devir Produções

Trabalhar com escultura e objetos 3D era uma grande vontade de Lelo e ele começou a experimentar esse universo em 2013. “Mas a escultura em si, de pegar um bloco e esculpir, acho que não tem muito a ver com meu trabalho. E aí eu fui pesquisando outros artistas e cheguei nessa solução, que é um pouco como meu desenho”, conta. Seu trabalho é muito gráfico, sem volume, trabalho de sombra ou perspectiva. É puramente bidimensional. Então, a partir de formas 2D, que encaixadas transversalmente criam objetos em terceira dimensão, Lelo chegou em um estilo próprio de escultura que começaria a produzir em 2015.

Começo da montagem da escultura na Praça Professor Resende Puech. Foto: Henrique Madeira
Montagem da escultura na Praça Professor Resende Puech. Foto: Henrique Madeira

Ele conta que, para chegar no projeto final das esculturas, primeiro faz muitos modelos com papelão e com brinquedos em casa. Depois, parte para as maquetes, que já são mais bem acabadas: com MDF pintado. E as que ele mais gostar são as que faz em escala maior.

O projeto que ele fez para o Nu Festival, a escultura “Touros”, na verdade, ele nunca tinha feito a maquete antes. Era uma ideia que ele já queria fazer há muito tempo, mas que nunca tinha desenvolvido. E esse é seu primeiro trabalho 3D em grande escala que está em espaço público. “Então foi de uma ideia que já estava guardada, mas que eu pensei bem, e com carinho, para fazer para o Nu Festival”, conta.

Montagem da escultura na Praça Professor Resende Puech. Foto: Henrique Madeira

Lelo já participou de inúmeros festivais como muralista pelo mundo todo. Essa é a primeira vez que ele tem a oportunidade de apresentar seu trabalho com objetos em espaço público. E, mesmo já tendo feito isso antes, ainda foi um desafio. Ele teve que levar em consideração vários fatores por a peça estar exposta em local público e aberto, ao tempo e às pessoas. “O que eu espero com esse trabalho é conseguir o máximo de interação possível das pessoas. A ideia que eu tenho para esse trabalho de objetos no espaço público é que as pessoas possam, de alguma forma, participar. Não só como espectador, mas que elas possam interagir de alguma forma”, explica.

Últimos retoques. Foto: Henrique Madeira

O que o atrai nos objetos é o fato de que eles podem ser tocados, uma criança pode subir nele. Ele acredita que a relação criada com as esculturas é diferente, é mais pessoal, já que a pessoa não precisa ficar só admirando-o.

Escultura pronta na Praça Professor Resende Puech. Foto: Henrique Madeira
Escultura pronta na Praça Professor Resende Puech. Foto: Gabriel Sousa/Devir Produções