O artista plástico e ilustrador Fernando Chamarelli é de Bauru, São Paulo, e é formado em design gráfico pela UNESP. Seu interesse pela arte começou com HQs, caricaturas e retratos realistas, e passou pela tatuagem até chegar na arte pública. Suas pinturas são como mosaicos em que as linhas e formas se entrelaçam para criar personagens envolventes. Espiritualidade, mitologia e geometria são alguns dos pilares de seu universo de fantasias e sensações.

Fernando Chamarelli começando a traçar. Foto: Henrique Madeira
Mural em processo. Foto: Henrique Madeira

Sua primeira inspiração foi a cultura indígena. Sua ideia era fazer algo bem regional, partindo da tribo que vivia no interior de São Paulo. Depois, acabou expandindo suas referências para a América Latina: maias, astecas, incas. Por fim, percebeu que tudo isso estava muito conectado com a África, os egípcios. E sua arte é a conexão disso.

Fernando Chamarelli em ação. Foto: Henrique Madeira

Seu mural para o Nu Festival é reflexo dessa mistura que ele acredita ser a cara de São Paulo. “Tem gente do mundo inteiro aqui, gente vindo de todas as partes. Então eu quis fazer algo que tivesse um pouco de cada cultura. Parece um totem indígena, mas tem elemento maori, asteca”, explica.

Fernando Chamarelli e sua parceira e assistente Camila Silvestre. Foto: Henrique Madeira
Mural em progresso. Foto: Instagrafite

Essa foi sua primeira empena e ele conta que já tinha pintado um mural antes, mas que devia ser ¼ do tamanho. “Foi um desafio que me deixou bastante ansioso a princípio. Mas depois que eu comecei a traçar e percebi que estava conseguindo fazer do jeito que eu queria, foi só deixar rolar. Simetria de um lado, traço do outro e preenchimento.

Fernando Chamarelli em ação. Foto: Henrique Madeira

O local em que a empena de Chamarelli está localizada é daqueles que fica impossível um mural desses passar despercebido. “O ponto da empena já é um lugar que passa muita gente, tem saída de metrô, várias manifestações. E a empena está virada para tudo isso. É uma cidade com 20 milhões de pessoas que passam ali sempre, trabalhando, no dia-a-dia”, diz sorrindo. E, para ele, esse será só o primeiro de muitos – possivelmente maiores ainda. “Superou as minhas expectativas. O que eu precisava era a oportunidade para fazer algo grande, algo que eu sempre quis fazer. E é um presente para São Paulo também”, conclui.

Mural finalizado na Faria Lima 528. Foto: Instagrafite
Mural finalizado na Faria Lima 528. Foto: Instagrafite