Formado pelos designers Bruna Vieira e João Tolentino, e pelos arquitetos Diego Uribbe, Duke Capellão e Rodrigo Kalache, o Coletivo MUDA, do Rio de Janeiro, vê a cidade como um laboratório de transformação. Com suas composições site specific abstratas e gráficas de azulejos, as intervenções espaciais do coletivo alteram a natureza das cidades. O grupo busca interferir no cotidiano local ao transformar espaços públicos esquecidos ou desvalorizados em ambientes relevantes e coloridos.

Coletivo MUDA em ação. Foto: Henrique Madeira

A trajetória como coletivo começou no Carnaval de 2011. E a ideia sempre foi atuar na rua de forma lúdica com objetos abstratos e modulares, que, atualmente, são os azulejos. Na época, escolheram-nos por serem leves e baratos. Com os azulejos, podem levar consigo sua intervenção. E o fato de serem modulares relaciona-se com o princípio de o MUDA ser um coletivo: “Nós trabalhamos as peças em separado, então as dez mãos conseguem trabalhar simultaneamente. Montamos simultaneamente, carregamos simultaneamente, instalamos simultaneamente. O trabalho é feito em partes, e o que sempre quisemos e se traduz no objeto final do nosso painel é que são imagens complexas formadas a partir de módulos simples. Queremos trazer geometria abstrata para a cidade”, conta João.

Bruna passando uma parte dos azulejos para Duke. Foto: Henrique Madeira
Coletivo MUDA em ação. Foto: Henrique Madeira

O coletivo carioca já tem outras intervenções por São Paulo, mas são menores, que conseguiam carregar com eles. “Temos um limitante de tamanho e do lugar que encontramos. Normalmente são cantos da cidade que encontramos e nos reconhecemos. Gostamos de muros abandonados, destruídos, de contextos que fazem contraste com o azulejo e com a composição”. E fazer um mural do tamanho do que fizeram para o Nu Festival a realização de um sonho.

Primeiros azulejos aplicados. Foto: Henrique Madeira

Atingir tanta gente, poder fazer parte da vida do entorno sempre foi um de seus objetivos. “Estamos vivendo em Pinheiros já faz quase 2 semanas, atravessando o Largo da Batata, vendo o mesmo caminho, indo ver o muro dos outros. E nos relacionamos bem com o entorno. Já conhecemos aqui a esquina, as lojinhas, os mercados, o preço da cerveja. Acho que conhecemos bastante o bairro. E é muito legal viver esse tempo no lugar, imaginar como seria viver aqui também, porque assim entendemos como a nossa arte faz parte desse contexto”.

Coletivo MUDA produzindo seu mural. Foto: Instagrafite

E o que os deixa mais satisfeitos é saber que essa relação criada com a região e com o prédio (moradores, síndica, funcionários) vai continuar. Eles vão embora, mas o painel fica. “eles estão construindo essa relação com a gente, mas na verdade estão construindo essa relação com o painel, que é o objeto final”, explica João, “e esperamos deixar uma mensagem à altura dessa relação que tivemos. E olha, não sei se é suficiente, mas 22m é bem alto”, conclui em meio a risadas.

Mural pronto na Pedroso de Morais 994. Foto: Instagrafite
Mural pronto na Pedroso de Morais 994. Foto: Instagrafite